A literatura brasileira no exterior: debate com Marcelino e Ruffato na Itália, em relato de João Cezar Rocha
em 04/11/2015

A cidade de Lecce, na Itália, recebeu o quinto encontro internacional do SIMELP – Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa, entre os dias 8 e 11 de outubro, como informamos anteriormente aqui no blog. Centenas de professores, pesquisadores e tradutores estiveram reunidos para tratar dos impasses, mas também das possibilidades do português no mundo contemporâneo.


O professor João Cezar de Castro Rocha, também consultor do Conexões Itaú Cultural, apresentou o projeto numa mesa que contou ainda como convidados os escritores Luiz Ruffato e Marcelino Freire. É do professor João Cezar o relato sobre a ação, que se pode ler a seguir:


Língua de expressão de diversos países, idioma oficial de nove Estados, difundido em vários continentes, o português congrega aproximadamente 270 milhões de falantes. Ora, afinal de contas, a língua portuguesa é um obstáculo à difusão das culturas que nela se comunicam? Ou, pelo contrário, há uma potência comunitária ainda inexplorada pelos falantes do português?


Por isso mesmo, as apresentações no encontro privilegiaram tópicos associados à língua portuguesa – seu ensino, estudos históricos sobre o idioma, entre outros assuntos – assim como enfatizaram comunicações relacionadas aos estudos linguísticos, em geral numa perspectiva teórica. Alguns conferencistas desenvolveram reflexões instigantes acerca de tema que interessa muito ao projeto Conexões Itaú Cultural. Vale dizer, como entender a vivência de um professor de língua portuguesa e de literaturas lusófonas quando o português não é seu primeiro idioma? É como se a experiência da “primeira aula” fosse radicalizada, tornando-se um desafio permanente.


Contudo, muitas mesas também discutiram aspectos relativos às literaturas de expressão portuguesa. Destacamos a sessão plenária sobre o Conexões, na qual me uni aos escritores Luiz Ruffato e Marcelino Freire. A mesa foi a segunda sessão plenária do evento. A professora Giulia Lanciani, um dos nomes mais destacados em toda a Europa nos estudos de literaturas de expressão portuguesa, conduziu a mesa com grande elegância, facilitando o diálogo entre os participantes e, sobretudo, com o público.


Apresentei um breve panorama da literatura brasileira contemporânea, assim como discuti iniciativas recentes para sua difusão no exterior, com destaque para o apoio à tradução de obras brasileiras, promovido pela Biblioteca Nacional. Além disso, abordei os aspectos principais da obra de Luiz Ruffato e Marcelino Freire. Concluí minha fala com uma apresentação do projeto Conexões.  


Marcelino Freire (foto de Mario Miranda Filho)


Marcelino Freire cativou a audiência recordando um momento decisivo em sua infância: ledor “oficial” da família, muito cedo ele compreendeu a força da palavra. Palavra escrita, a ser decifrada e, sobretudo, dominada. Palavra vocalizada, recuperando a força da oralidade. Marcelino sublinhou a presença dessa memória em sua escrita. Ao mesmo tempo, ele assinalou a vitalidade atual da experiência literária no Brasil, especialmente visível na multiplicação de encontros em todo o país.


Luiz Ruffato (foto de Tadeu Vilani)


Já Luiz Ruffato propôs uma reflexão provocadora, questionando o papel geralmente assumido por escritores em situações públicas. Em lugar de somente tratar da própria obra, Ruffato defendeu que o autor deveria aproveitar tais ocasiões para enfrentar as contradições do país. No caso, Ruffato assinalou um problema diretamente associado à experiência literária, isto é, o alto índice de analfabetismo funcional. Em tal contexto, como desenvolver políticas efetivas de fomento da leitura? 

 

As questões levantadas por Marcelino Freire e Luiz Ruffato foram debatidas com vivo interesse pelo público, coroando a acolhida calorosa que os dois escritores tiveram.


Acesse o banco de dados do Conexões Itaú Cultural.

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