É possível viver de literatura?
em 02/12/2009

Viver de direitos autorais é um desafio para qualquer escritor no Brasil. A questão da figura autoral e seus meios de sobrevivência, bem como a separação entre vida pessoal e ficção foram discutidos na primeira mesa da tarde de quarta, 02 de dezembro, no V Encontros de Interrogação Itaú Cultural, que acontece no Rio de Janeiro em parceria com o Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ.

Estiveram presentes no debate os escritores Marçal Aquino, Adriana Lisboa e Michel Laub, sob mediação do também escritor, Manuel da Costa Pinto. Os três partcipantes da mesa apresentaram visões divergentes sobre a interferência da vida pessoal no processo de elaboração do livro.

Adriana Lisboa, por exemplo, considera negativa a tendência de categorização da obra a partir da figura do autor, afirmando que a importância da autoridade é exageradamente valorizada e nem sempre altera as características do livro. Michel Laub discorda. “Meus livros partem de experiências pessoais. A maneira como são escritos já muda o acontecimento, as pessoas tendem a acreditar no que lêem, e não no que acontece de fato. São coisas diferentes”.

Quando questionados se vivem de direitos autorais, a resposta foi unânime: não. Marçal Aquino considera, inclusive, saudável não ter essa fonte de sobrevivência. “Escritor não deve vender livro, deve escrever! Não se deve escrever um livro por semestre e aparecer na mídia tão somente para ganhar dinheiro. Deve-se estar inspirado, querer escrever e ter algo a dizer, o que leva tempo”.

Novamente, os escritores discordaram, pois Adriana e Michel esperam poder se sustentar com literatura. “Disponho horas do meu dia para escrever; isso é um trabalho que precisa ser pago, porque os escritores precisam sobreviver”, conta a autora. Marçal rebateu. “Escrevo para mim; se alguém quiser ler, que leia, mas não devo fazer concessões para ser lido; se eu gostasse de aparecer, não seria escritor. O que importa é o livro, não o autor”.

Reportagem para o blog Conexões Itaú Cultural por CIBELE RESCHKE DE BORBA
Estagiária de Jornalismo do FCC/UFRJ

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