Formas de fingir: a criação literária contemporânea
em 16/11/2009

A quinta edição dos Encontros de Interrogação, programa do Instituto Itaú Cultural acontece este ano em parceria com o Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ entre os dias 1 e 2 de dezembro próximo. A edição deste ano tem curadoria de Beatriz Resende, Flávio Carneiro e Manoel da Costa Pinto e conta com a participação de dezoito escritores em seis mesas redondas.

A “interrogação” deste V Encontro, formulada pelos curadores, pergunta:

Qual o horizonte da criação num panorama que transformou o escritor em personagem? Festas literárias, bienais, programas de TV, encontros com o autor, prêmio literários, blogs e twitters deslocam o foco da invenção ficcional para a persona do autor que expõe seu processo de produção de enredos, protagonistas e versos de feição muitas vezes confessional. Na história da literatura brasileira, houve algum momento de tamanha exposição pública do escritor quanto neste início de século XXI? Em contraponto à ascensão do cinema documental e dos reality shows, a literatura contemporânea encontra no “testemunho do vivido” um lastro que lhe confere um valor que vai além (ou que está aquém) do juízo estético consagrado pela recepção crítica. Como essa nova condição do escritor-personagem determina a criação de narradores e vozes líricas?

Paralelamente, a profissionalização do escritor e sua presença pública – como colaborador regular de jornais, roteirista de adaptações cinematográficas, teatrais e televisivas, conferencista, ou simplesmente autor de diários a céu aberto – altera a essência do trabalho criativo? A atuação do escritor em oficinas literárias e sua aceitação das intervenções dos editores são vetores de uma figura do autor como artífice de textos que negociam com o mercado e com a autonomia da invenção?

Inventar um outro é de algum modo reinventar a si mesmo?

A programação completa do V Encontro de Interrogações é a seguinte:

Programação

01.12

 

15h30

Criação Poética e Ficção da Inspiração ou O “poeta fingidor” de Fernando Pessoa é um artífice que, como queria Valéry, “transforma o leitor em inspirado”?
Que resposta se pode dar hoje à antiga e, por sua recorrência, sempre atual questão sobre a gênese do trabalho poético? Valores antagônicos como inspiração e labor textual podem ser estratégias que atendem às expectativas da crítica e dos leitores? Ao se expor em saraus e festas literárias, o poeta busca adicionar um valor testemunhal ao seu trabalho?

com Frederico Barbosa, Marco Lucchesi e Micheliny Verunshk
mediador Wilberth Salgueiro

17h30

Criação e Crítica Literária ou Existe literatura sem reflexão sobre os processos criativos consagrados pela tradição e pela tradição da ruptura?
O escritor contemporâneo cria pensando em sua inserção nos recortes desenhados pela crítica? Organizar antologias, escrever atendendo a parâmetros acadêmicos e publicar originais em revistas de criação e crítica seria uma forma de “controle da recepção” – e, no caso de escritores-críticos, de reivindicar modos de leitura de sua própria produção?

com Altair Martins, Heloisa Buarque de Hollanda e Ítalo Moriconi

mediação Claudia Nina

19h30

Criação e Confissão ou Como a ficção transtorna a noção de documento, de registro biográfico e da própria história da literatura?

Em que momento o caráter memorialístico de contos e romances se transforma em imaginação? Existe ficção pura, sem enraizamento na história pessoal? E como esse enraizamento coincide com o enraizamento na história literária e suas rubricas (literatura gay, ficção pós-moderna, regionalismo, memorialismo)?

Com Ronaldo Correia de Brito e Silviano Santiago

Mediação Beatriz Resende

02.12

15h30

Criação e Narrativa ou Como o enredo ficcional parte da experiência pessoal sem deixar de se afirmar como ficção?

O escritor decanta sua experiência na literatura ou escreve contra ela, num esforço de esquecimento que faz o triunfo da ficção? A vida dos outros e as vivências individuais determinam a invenção? O escritor “escolhe” acasos e percalços (pessoais, profissionais) que dêem lastro à ficção, que confiram ao texto a autoridade do vivido?

Com Adriana Lisboa, Marçal Aquino e Michel Laub

Mediação Flávio Carneiro

17h30

Criação e Edição ou A intervenção do editor sobre o manuscrito altera o estatuto do autor?

Como o editor edita? Os escritores modificam seus originais a partir do olhar crítico de seus editores? Que critérios (literários, mercadológicos) determinam tais intervenções? Existe paralelo entre o editor de livros e a figura, cada vez mais influente (e midiática), do curador de artes visuais?

com Paulo Roberto Pires, Nelson de Oliveira e Samuel Leon

mediação Manuel da Costa Pinto

19h30

Criação, Leitura e Autoria ou Como o escritor identifica tendências e problemas com as quais sintoniza sua literatura?

O escritor leva em conta a existência de questões e gêneros que estão na ordem do dia? Ao flertar com a literatura confessional ou com a literatura policial, o escritor aceita as regras do jogo ou as usa para burlar a expectativa do leitor? A opção por um gênero dilui a responsabilidade autoral ou desafia sua singularidade?

com Cristovão Tezza, Ana Paula Maia e Ferréz

mediação Manuel da Costa Pinto

Serviço:

O V Encontro de Interrogações acontecerá no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ

Av. Pasteur, 250 – 2º andar – Praia Vermelha – CEP 22.295-900 – Rio de Janeiro – RJ

(entrada também pela Av. Venceslau Brás, 71, ao lado do Hospital Pinel)

Tel: (21) 2295-1595 / Fax: (21)2295-2346
Serão dados certificados de presença para quem assistir a pelo menos 75% das mesas redondas.
A entrada e as inscrições são gratuitas

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