Machado em tradução – Japonês
em 25/05/2012

“Finalmente Machado entrou na lista dos grandes clássicos mundiais aqui no Japão!”, comemora a responsável pelo feito, Chika Takeda, professora de literatura brasilianista e tradutora de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Chika já nutre há um bom tempo a vontade de publicar a obra de Machado de Assis no Japão. Só agora, em maio de 2012, conseguiu o feito.

O lançamento é da Kobunsha Classics, cuja série de grandes clássicos mundiais fez grande sucesso há alguns anos com a publicação de Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski, vendendo 1 milhões de exemplares. O sucesso dificilmente se repetirá, mas Chika tem outras expectativas. “De qualquer forma, espero que a publicação de Memórias desperte o interesse dos fãs da literatura estrangeira daqui, dirigindo o olhar deles para o Brasil”, pontua.

Chika conversou um pouco com o blog do Conexões Itaú Cultural sobre a publicação, sobre Machado de Assis e sobre a literatura brasileira no Japão.

Quando e porque você decidiu traduzir Machado de Assis?

A ideia surgiu já há muito tempo, já são 15 anos. Decidi traduzir porque a obra de Machado tem visão do mundo e valores completamente diferentes dos daqui.

O que mais você pretende traduzir de Machado?

Gostaria de publicar a tradução de Dom Casmurro. Já a tenho quase pronta. A realização da ideia depende do grau de aceitação das Memórias Póstumas de Brás Cubas pelo público japonês.

Quais foram as maiores dificuldades de tradução da obra de Machado?

A maior dificuldade foi a escolha das palavras e o uso das expressões mais adequadas, pois as ideias que Machado colocou no texto são tão densas e extensas – até diria que são infinitas! – que, na verdade, é impossível achar a palavra exata. A minha missão, portanto, era tornar o impossível menos impossível e achar um ponto de maior conciliação.

Qual, você imagina, será a repercussão e aceitação (ou não) do livro?

Creio que o livro será uma obra de grande choque entre alguns intelectuais japoneses, pois creio que poucos conhecem outra obra semelhante à de Machado.

O que você poderia nos contar sobre a presença da literatura brasileira no Japão? Além das suas, que outras obras forma traduzidas recentemente?

Infelizmente, são muito poucas as obras traduzidas da literatura brasileira aqui no Japão. Na média, menos de um livro por ano. Mas creio que a literatura do Brasil possui uma grande potencialidade. Ela pode contribuir muito na formação dos novos valores para superar esta crise da “modernidade” que estamos enfrentando.

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