Repercussões de um Mapeamento
em 17/09/2011

A presença da literatura brasileira no exterior é pauta da grande matéria desta semana do Prosa & Verso d’O Globo. De autoria do jornalista Guilherme Freitas, a matéria amplamente fundamentada nos resultados do Conexões – Mapeamento Internacional da Literatura Brasileira, do Itaú Cultural. Com o título Programa de Intercâmbio, o texto publica quadros extraídos do Conexões Itaú Cultural, acessíveis aqui, e entrevistou quatro dos nossos mapeados – Carmen Villarino, da Universidad de Santiago de Compostela, Espanha; Pedro Meira Monteiro, da Universidade de Princeton, nos EUA; Florencia Garramuño, da Universidad San Andrés, Argentina; e Chika Takeda, da Universidade de Estudos Estrangeiros de Tóquio. Guilherme Freitas localizou ainda uma futura mapeada, a croata Majda Bogic, colega das já mapeadas Petra Petrak e Tatiana Tarbuk.

 
Guilherme Freitas anuncia a próxima reunião em Santiago de Compostela de mais um Encontro Internacional do Conexões, em parceria com a universidade e com o Consello de Cultura Gallega, quando estarão presentes pesquisadores mapeados dos Estados Unidos (Darlene Sadlier), Argentina (Florencia Garramuño), França (Leonardo Tonus), além da Espanha. Os escritores Márcio Souza, Luiz Ruffato, Marçal Aquino e Cinthia Moscovitch também estarão presentes, dialogando com colegas escritores e pesquisadores da Galiza e de outras comunidades espanholas e escritores galegos.

Outro destaque da matéria do Prosa & Verso são quatro gráficos retirados dos dados do Mapeamento, mostrando respectivamente os países onde atuamos pesquisadores, as sugestões feitas para melhorar a presença da literatura brasileira no exterior, os vinte autores mais citados pelos mapeados e os temas de pesquisa.

Os Mapeados entrevistados pelo Prosa & Verso e os vídeos que fizeram para o Conexões

O Conexões – Mapeamento Internacional da Literatura Brasileira é desenvolvido pelo Núcleo Diálogos do Itaú Cultural, dirigido por Claudiney Ferreira, e tem consultoria de Felipe Lindoso e João Cézar de Castro Rocha.

Pedro Meira Monteiro, brasileiro professor em Princeton, teve citado um ensaio que escreveu para o Conexões, A Primeira aula, o vazio e a literatura, no qual trata das dificuldades e das novidades enfrentadas por um brasileiro que vai ensinar sobre nossa cultura para alunos com referências culturais totalmente diferentes.

Florencia Garramuño, além de professora e pesquisadora, publicou recentemente uma nova tradução do Grande Sertão, Veredas, do Guimarães Rosa, feita juntamente com Gonzalo Aguilar, além de traduções de outros autores brasileiros.

Chika Takeda, professora de literatura brasileira na Universidade de Estudos Estrangeiros de Tóquio, e autora de um dicionário português-japonês, destaca as diferenças na estrutura sintática entre os dois idiomas para explicar as dificuldades de tradução. Chika Takeda já traduziu romances de Chico Buarque e Jorge Amado, e tem prontas para publicação obras de Zulmira Tavares e Machado de Assis.

Carmen Villarino, que organiza com
Claudiney Ferreira – do Núcleo Diálogos do Itaú Cultural e responsável pelo Conexões – e Felipe Lindoso – consultor do projeto – o próximo Encontro Internacional em Santiago, destaca as similitudes entre o português e o galego – o galaico-português é o antecessor direto do português moderno – e o fato dos leitores da comunidade espanhola poderem ler os livros de autores brasileiros no original, mas lamenta as dificuldades para incrementar o intercâmbio.

“O Brasil é uma potência mundial atualmente e essa situação privilegiada, entendo, deve mostrar-se também a nível cultural”, disse Carmen no Verso & Prosa, defendendo também a criação de um órgão de difusão da cultura brasileira nos moldes dos institutos Camões e Cervantes, reivindicação de muitos dos mapeados.

Como assinala o professor João Cézar de Castro Rocha, que, além dos citados, também é curador do Conexões, em texto publicado na Biblioteca do Blog: “Vivemos, ao que tudo indica, um momento ímpar no tocante à difusão da literatura brasileira. Contudo, ainda não fomos capazes de apreender esse momento em sua totalidade e, por isso mesmo, não sabemos como potencializá-lo”.

O Conexões – Mapeamento Internacional da Literatura Brasileira, do Itaú Cultural, tem como eixo central precisamente alcançar essa compreensão do fenômenos e, assim, contribuir para a formulação de políticas públicas de apoio para sua difusão, além de conectar os pesquisadores e tradutores, proporcionar informações para editores e pesquisadores e reforçar a presença dos nossos autores na “república mundial das letras” como expressão de nossa cultura.

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