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Daniel Galera e o diálogo entre o inglês e o português
em 21/03/2016

O professor de literatura comparada da UERJ João Cezar de Castro Rocha, consultor do Conexões Itaú Cultural, escreve sobre o mais recente encontro internacional do projeto e a mesa mediada por ele no evento, sobre o trabalho de Daniel Galera, autor de livros como Barba Ensopada de Sangue e Mãos de Cavalo, entre outros, contando ainda com a presença de sua tradutora para o inglês, Alison Entrekin, e o escritor e professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) José Luiz Passos.


Ouça o registro em áudio do debate:



Nas edições anteriores do encontro internacional do projeto Conexões Itaú Cultural, o enfoque privilegiado levou à discussão de questões gerais.


Compreende-se bem o propósito. Pois, uma vez que o principal objetivo do Conexões é realizar um mapeamento inédito, pelo alcance dos mapeados e pelo escopo dos temas, da presença da literatura brasileira no exterior, os primeiros passos lidaram com problemas propriamente estruturais.


Em outras palavras, foram tratados temas relativos à promoção da literatura brasileira contemporânea, aos obstáculos representados pela língua portuguesa na difusão da cultura brasileira, à necessidade de aprofundar políticas públicas de apoio à tradução de obras, assim como à viagem de autores e de autoras, à formação dos especialistas em literatura e cultura brasileira, ao novo perfil do brasilianista, à transformação dos estudos literários, ao usado crescente de material audiovisual no ensino de literatura, ao papel decisivo dos agentes literários e dos editores no aquecimento do mercado internacional – entre outros tópicos debatidos.

 

Em suma, nos encontros anteriores, o objetivo principal foi o de pintar o cenário o mais completo possível dos múltiplos fatores e agentes envolvidos, direta ou indiretamente, na construção da presença da literatura brasileira no exterior.

 

No encontro internacional de 2015, contudo, adotou-se uma estratégia diferente: as mesas foram dedicadas à discussão de um autor ou de uma autora. Por isso, em lugar da contextualização de estruturas de caráter geral, impôs-se a análise pontual, orientada por um conjunto de perguntas, com a finalidade de fotografar a particularidade de recepções específicas deste escritor ou daquela escritora.

 

Vejamos algumas dessas questões-chave: Por que se escolhe esta ou aquela autora para leitura em sala de aula? Como se conduz a leitura de um autor brasileiro contemporâneo numa turma de alunos estrangeiros? A recepção da literatura brasileira é mais “literária”, voltada ao estudo dos procedimentos textuais, ou predominantemente “sociológica”, interessada na realidade cultural apresentada literariamente?

 

Nesse horizonte, organizou-se uma mesa com o escritor e tradutor Daniel Galera, sua tradutora para o inglês, Alison Entrekin, e o escritor e professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) José Luiz Passos. Desse modo, todas as pontas do processo estiveram representadas: da escrita à recepção, passando pela tradução.



Alison Entrekin, Daniel Galera e José Luiz Passos, em foto de Chris Rufatto

Alison Entrekin, Daniel Galera e José Luiz Passos, em foto de Chris Rufatto

 

Daniel Galera recordou seus primeiros textos publicados, época na qual se notabilizou como um dos pioneiros no emprego da internet como plataforma de publicação e de experimentação. Assim, ele começou a ser editado (ou a editar-se) muito jovem e, quase ao mesmo tempo, algumas de suas histórias foram traduzidas. Eis uma circunstância sem dúvida peculiar, pois sua trajetória combinou a produção da obra com sua crescente repercussão no exterior. Ressaltou, porém, que esse fato não chegou a determinar sua escrita, tratando-se apenas de uma circunstância.

 

Alison Entrekin abordou as dificuldades principais que enfrentou na tradução de Barba Ensopada de Sangue. Publicado em 2012, o romance, além de obter o terceiro lugar no Prêmio Jabuti, conquistou o título de Melhor Livro do Ano no Prêmio São Paulo de 2013. O romance foi traduzido como Blood-Drenched Beard (Penguin Press, 2015).

 

A tradutora destacou um ponto que merece ser resgatado. No caso, a apropriação realizada pelo autor brasileiro de certas técnicas narrativas extraídas sobretudo da literatura norte-americana atual, com destaque para sua leitura da obra de David Foster Wallace.

 

Curiosamente, esse diálogo intenso e constitutivo com o autor de Infinite Jest originou um caso particularmente difícil e intrigante. Ora, como “retornar” ao inglês determinadas estratégias apropriadas por Daniel Galera de textos originalmente escritos em inglês? Pensemos especialmente na elaboração de diálogos propriamente sinfônicos, cuja complexidade reside no apagamento deliberado de marcas de identificação das vozes do discurso, a fim de gerar uma ambiguidade radical relativa aos personagens e suas respectivas falas. Essa ambiguidade concede ao ato de leitura uma função criadora, já que cabe ao leitor “arriscar-se” e atribuir determinadas falas a certos personagens.

 

Sejamos mais diretos: como “retornar” ao inglês um português cuja força literária se nutre (pelo menos, parcialmente) da recriação de efeitos produzidos originalmente em inglês?

 

Tal dificuldade estimulou um debate de grande interesse.

 

Em primeiro lugar, o autor de Cordilheira esclareceu a importância de seu próprio trabalho de tradutor de literatura de língua inglesa. De fato, na listagem de seus títulos, Daniel Galera faz questão de incluir os volumes traduzidos. Desse modo, mais do que mero exercício para um futuro livro, a “tarefa do tradutor” – para recordar a célebre expressão de Walter Benjamin – também é parte do ofício de escritor.

 

Não é tudo.

 

Num dos momentos mais instigantes de todo o 8º Encontro Internacional Conexões Itaú Cultural, Daniel Galera revelou um hábito que o acompanha desde os seus primeiros textos; hábito esse que caminha a contrapelo do modelo usual. De fato, muitos autores costumam afirmar que, no processo de escrita de um novo livro, leem pouco, ou mesmo deixam de fazê-lo, com receio de sofrer “influências”. Um dos exemplos mais conhecidos é o de Sigmund Freud, que teria conscientemente evitado consultar a obra de Friedrich Nietzsche, a fim de preservar sua independência no desenvolvimento da psicanálise.

 

Daniel Galera afirmou que, muito pelo contrário, os instantes de escrita são os que mais exigem uma leitura onívora e, sobretudo, “interessada”. Vale dizer, escrever e ler são atos, não apenas gêmeos, como também simultâneos pois, aqui, a leitura é metabolizada na escrita do texto em elaboração. O autor de Mãos de Cavalo foi ainda mais exato: enquanto escreve, lê muito, se possível, todo o tempo, precisamente para inspirar-se, apropriar-se de soluções alheias, reinventar-se, reinventando sua literatura através de outras letras e vozes diversas.

 

Diversidade de olhares, aliás, explicitada na contribuição de José Luiz Passos que, a seu modo, não deixou de corresponder à duplicidade de papéis. De um lado, autor de O Sonâmbulo Amador, título que ganhou duas categorias do Prêmio Portugal Telecom em 2013: melhor Romance e Livro do Ano. De outro, professor de literatura brasileira nos Estados Unidos, em cuja sala de aula alunas escreveram trabalhos sobre Barba Ensopada de Sangue. O professor-autor selecionou e traduziu trechos da composição de seus estudantes.


Eis, numa síntese brutal, o eixo das interpretações dos alunos da UCLA: o romance foi lido com lentes psicológicas (psicologizantes?); método dominante nos departamentos de letras da universidade norte-americana. No entanto, em lugar de registrar o óbvio – a ingenuidade desse modelo de interpretação, que termina por confundir os gestos e as motivações do narrador ou do protagonista com as razões e os atos do próprio autor –, é mais interessante assinalar o passo decisivo. Isto é, o romance de Daniel Galera foi compreendido “como se” fosse outro título qualquer da literatura contemporânea. O dado parece “natural”, porém merece destaque.

 

Reitere-se: em lugar de uma previsível “redução sociológica” (salve, Guerreiro Ramos, e perdoe o emprego ligeiro de seu conceito!), que limitaria a literatura do escritor brasileiro ao pálido papel de mero espelho da cultura brasileira, a psicologização de Barba Ensopada de Sangue opera um efeito surpreendente, qual seja, situar num plano mais geral a obra de um autor contemporâneo de literatura brasileira. Por definição, tal plano, em alguma medida, afasta-se do tradicional exotismo, que desejaria que a escritora brasileira falasse somente dos assuntos considerados “locais” pelo público europeu e norte-americano.

 

Nesse sentido, a conclusão desta mesa reforça a contribuição do projeto Conexões Itaú Cultural: surpreender ângulos novos na atual presença da literatura brasileira no exterior.


Saiba mais sobre os debatedores:


Daniel Galera: vídeo/ verbete.

Alison Entrekin: vídeo.

José Luiz Passos: vídeo.

 

Leia mais sobre o 8º Encontro Internacional Conexões Itaú Cultural – O olhar do outro: a recepção da literatura brasileira: link.


Assista outros depoimentos em vídeo na playlist do Conexões Itaú Cultural.

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