As relações entre literatura e política – Encontros de Interrogação 2016
em 03/11/2016

O evento Encontros de Interrogação procura indagar sobre a momento atual da literatura brasileira. Na edição 2016, as questões giram em torno das diferentes formas e percepções das relações entre literatura e política, sob a curadoria de Maria José Silveira, Ítalo Moriconi, Eduardo Sterzi e Fernando Paixão. O evento acontece de 9 a 11 de novembro, na sede do Itaú Cultural, em São Paulo (SP).


Os encontros se constróem a partir de perguntas, eis aqui alguma desta edição. Autoria ou crítica, qual a política do texto? Como a forma se torna conteúdo político? Política das letras e política das imagens: distâncias ou convergências? O projeto literário implica em uma escolha política? A literatura é crítica social? Restringir a literatura à “forma culta” é expressão de poder? O engajamento não tem mais sentido? Para quem? Gênero, raça, território são temas políticos e literários em que medida? E o poder na política editorial? A crítica literária é uma forma de poder? E o leitor, tem algum poder nas relações culturais e artísticas da literatura? A arte e, por extensão, é legitimadora das desigualdades sociais e culturais? O mal estar da sociedade está presente na literatura brasileira? A autonomia é um valor significativo da arte?


A programação completa do evento segue logo abaixo. Também de 9 a 11 de novembro, o instituto recebe a 9ª edição do Encontro Internacional Conexões Itaú Cultural, como tratado nesse outro post.


Criado em 2004, Encontros de Interrogação já reuniu em suas edições cerca de 150 poetas, prosadores, críticos, professores e jornalistas em torno de perguntas e questões importantes para debater e refletir sobre entender os processos de escrita, do mercado, da crítica e do que é essencial na literatura.


A memória audiovisual dos Encontros de Interrogação abrange cerca de 110 vídeos, com depoimentos e debates, disponíveis nesta playlist.


9º Encontros de Interrogação
quarta 9 a sexta 11 de novembro de 2016
às 18h e às 20h
[duração aproximada de cada debate: 90 minutos]
Sala Itaú Cultural (piso térreo) – 254 lugares


Entrada gratuita
distribuição de ingressos
público preferencial: a partir das 16h (para as duas mesas do dia) | com direito a um acompanhante
público não preferencial: a partir das 17h (para as duas mesas do dia) | um ingresso por pessoa

[livre para todos os públicos]
[acessível em libras]


Programação:


9 de novembro (quarta)


Mesa 1, 18h
Autoria ou crítica: qual a política do texto hoje?
A relação entre escrita, função autoral e crítica vem sofrendo transformações influenciadas pelo suporte digital e pelo contexto de possibilidade democrática em que emerge uma noção de direito à escrita, cuja prática vai redimensionando o próprio papel do cânone literário tradicional. Existe uma política do texto, no texto?
Com: Ítalo Moriconi, Ricardo Lísias e Paloma Vidal
Mediação: Ieda Magri


Mesa 2, 20h
Como a forma se torna conteúdo político?
O poeta russo Vladimir Maiakovski afirmou que “não existe conteúdo revolucionário sem forma revolucionária”. No entanto é muito comum associar o valor político de um texto ao seu tema ou conteúdo, ao invés de perceber o desempenho formal. Passado o tempo das vanguardas, como a forma literária pode ser revolucionária em nossos dias?
Com: José Luiz Passos, Fernando Paixão e Beatriz Bracher
Mediação: Josélia Aguiar

10 de novembro (quinta)


Mesa 3, 18h
Quais são as outras línguas da literatura?
A experiência da literatura no Brasil não está restrita às formas cultas. Ela pode se constituir também pela interceptação e alteração do idioma oficial por formas e maneiras vindas de outras línguas, de outros usos ou, ainda, emergir de contextos antes invisibilizados e em novos territórios.
Douglas Diegues, Kaká Werá e Jarid Arraes
Mediação: Sérgio Cohn


Mesa 4, 20h
O projeto literário implica uma escolha política?
Frente aos conflitos e transformações que a sociedade continuamente nos coloca, o escritor tem como se furtar a lidar com eles? Poderíamos dizer que suas escolhas literárias, os temas que os preocupam, surgem daí? Por quais processos passam suas ideias antes mesmo da escrita? Haveria uma intenção política no que você escreve?
Com: Maria José Silveira, Ana Maria Gonçalves, Alberto Mussa
Mediação: Roberto Taddei

11 de novembro (sexta)


Mesa 5, 18h
Quais as interações possíveis entre literatura e política?
Diz-se que um autor abraça a política quando escreve de maneira posicionada, ou seja, inspirada em certos princípios. Mas engajamento e tema social são apenas uma parte da questão; há também as conexões sutis presentes na própria noção de literatura ou no estilo. Então: quais são as interações possíveis?
Com: Sheyla Smanioto, Márcio Souza e Ricardo Aleixo
Mediação: Noemi Jaffe


Mesa 6, 20h
Política das letras e política das imagens: distâncias ou convergências?
Uma visita a qualquer grande evento de arte contemporânea deixa claro que as artes visuais passaram, ao longo dos últimos anos, por uma virada política. Embora a política, em suas muitas dimensões, nunca tenha deixado de ser um tema para a literatura, nada de comparável, como tendência coletiva, se verifica entre prosadores e poetas. Quais as razões dessa diferença?
Com: Élida Tessler, Carlito Azevedo e Nuno Ramos.
Mediação: Eduardo Sterzi

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