Exílio, busca e memória com Adriana Lisboa e Bernardo Carvalho
em 06/04/2015

Os dois escritores estiveram em debate, no stand do Brasil no Salão do Livro de Paris , em 21 de março, com mediação do jornalista Gérard Meudal. A discussão remetia a temas tratados nas obras dos autores, a busca do sentido da vida, contradições e desejos do homem confrontado com suas próprias limitações. 


Eis o relato da atividade, acompanhada pelo  professor João Cezar de Castro Rocha, consultor do Conexões Itaú Cultural:  


Gérard Meudal, apresentou os romance dos dois autores que foram lançados durante o Salon du Livre: Hanói (Éditions Métailié), de Adriana Lisboa, e Reprodução (Éditions Métailié), de Bernardo Carvalho. O moderador perguntou aos autores qual a importância da questão da identidade em suas obras. 


Bernardo Carvalho afirmou que seu romance trata menos de uma busca pela identidade e muito mais dos efeitos da perda de uma linguagem. Ora, se as linguagens desaparecem, “então, o próprio mundo se empobrece, assim como a ideia mesma de diversidade”. Mais ainda: é a própria ideia de literatura que se perde hoje em dia, acrescentou. 


Por isso, a crítica corrosiva a internet, presente no romance, refere-se sobretudo à imposição de uma linguagem comum, uniforme e empobrecida, dominante no universo digital. Daí a técnica de repetição de clichês – por assim dizer, o esperanto da internet. 


Em relação ao problema da identidade, Bernardo Carvalho sugeriu que, num caso como o brasileiro, a preocupação com a identidade se confunde com uma fórmula fácil para mascarar problemas mais imediatos. 


Adriana Lisboa principiou esclarecendo o aspecto mais importante de seu romance através de uma pergunta: como desenvolver uma forma outra de falar da morte, que não seja necessariamente pesada? O personagem de seu romance descobre que lhe restam apenas quatro meses de vida. O que fazer nesse tempo determinado, no qual a questão filosófica da finitude transforma-se em assunto cotidiano, e, sobretudo, com data marcada!


A autora também destacou uma palavra-chave em seu romance: empatia. Em suas palavras: “Como se julga a importância da própria vida?” Ainda: “Como entender nossa relação com outros seres humanos?”. 


Lisboa concordou com Bernardo Carvalho, assinalando que o problema da identidade não foi decisivo na escrita de Hanói. No fundo, ela desejou explorar uma questão mais geral: como escolher um caminho, quando se enfrenta uma situação-limite? 

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