Ler, publicar e vender literatura brasileira no exterior
em 02/12/2009
Lúcia Riff, Roberto Vecchi, João Almino, Luiz Ruffato e Carmen Corral

Lúcia Riff, Roberto Vecchi, João Almino, Luiz Ruffato e Carmen Corral

A última mesa do II Conexões Itaú Cultural – Mapeamento Internacional da Literatura Brasileira tratou dos modos como se percebe, se lê e se vende literatura brasileira no exterior. As leituras da literatura brasileira no exterior, mediada pelo escritor e diplomata João Almino, promoveu debate entre Carmen Corral, Luiz Ruffato, Roberto Vecchi e Lucia Riff. O II Encontro aconteceu no Rio de Janeiro nos dias 1 e 2 de dezembro, em parceria com o Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ.


Carmen Corral começou sua apresentação descrevendo seu trabalho como editora na Tusquets: os editores, afirmou, servem como mediadores entre autor e público. Tratou, em seguida, das dificuldades para publicar um livro brasileiro. Espantada com o fato de escritores brasileiros não serem representados por agente literários do próprio país, disse que a presença da literatura brasileira é rara na Espanha e que termina conhecendo os autores daqui pela internet ou por revistas especializadas. Boa parte de sua fala centrou-se em comentários motivados por uma matéria a respeito do mercado editorial brasileiro que saiu na Publishers Weekly em outubro de 2009, feita por ocasião da Bienal do Livro do Rio de Janeiro e publicada pouco antes da Feira de Frankfurt. Partindo do artigo, revelou-se surpresa com a baixa tiragem média de livros de literatura no país e da falta de apoio governamental às traduções. Por fim, sugeriu que alguns assuntos sejam mais fáceis de interessar a editores estrangeiros e que talvez os escritores brasileiros, ao escrever seus livros, devessem pensar em temas que pudessem “viajar”.

O escritor Luiz Ruffato, depois de se manifestar a respeito de alguns dos pontos mencionados por Carmen Corral, passou a tratar da ausência de política do livro e de leitura no país, dando como exemplo as publicações de seus livros no exterior. Partindo de duas experiências recentes que teve fora do país – no Timor Leste e no Líbano –, mostrou a falta de apoio do governo brasileiro à divulgação de sua literatura em outros países.

Roberto Vecchi, professor da Universidade de Bolonha, procurou responder, a partir do contexto italiano, à questão proposta pela mesa “Por que se lê literatura brasileira no exterior?”. Sugeriu que talvez o leitor estrangeiro leia a literatura brasileira para conhecer o país. Os leitores italianos, exemplificou, ao ler a literatura brasileira, procuram pelo Brasil, mas também pelos estereótipos aos quais o país habitualmente se liga. Uma política de difusão da literatura brasileira, argumenta Vecchi, deve levar esse aspecto em consideração. Lembrou ainda que os livros brasileiros na Itália são traduzidos, publicados, mas não distribuídos. Destacou, por fim, a especificidade da literatura brasileira (“objeto complexo”), diluída, depois do Processo de Bolonha, nos cursos de “cultura brasileira”.

Última palestrante do encontro, a agente literária Lucia Riff comentou a “solidão do agente literário”, que não recebe ajuda de nenhuma instância governamental. Queixou-se dos programas de apoio à tradução da Biblioteca Nacional e também das dificuldades enfrentadas nas feiras no exterior. Segundo ela, os editores estrangeiros não se interessam por livros que têm “temas muito brasileiros”, sem que se saiba ao certo medir a brasilidade de cada livro. Disse ainda que o trabalho do agente literário, figura praticamente inexistente no país, é difícil e requer dedicação.

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